O râguebi do Benfica, vinte e cinco anos depois, sagrou-se campeão nacional mas não é por isso que o 15 é há muito tempo o número da sorte no Estádio da Luz. Melhor, é o número que há muito faz andar a máquina do tempo e da distribuição de fortuna no Seixal.
Há uma diferença. Uma rica diferença, conforme a generalidade dos adeptos percebeu aquando da última conferência de Imprensa de José Mourinho.
Em plena Amoreira, casa que fez nascer o recordista de vitórias na Liga Sub’23, o ex-futuro Alex Ferguson de Rui Costa tratou de separar as águas e fez uma revelação que não deixou margem para fotografias desfocadas.
Ao despedir-se, o treinador disparou com estrondo que no Campus encarnado estão reunidas as condições para a equipa principal voltar a vencer… ao contrário daquilo que sucede assim que (se) atravessa a ponte e (se) irrompe pela porta 18.
Como lhe é característico, Mourinho escolheu com pinças as palavras e esqueceu-se de confessar que ele próprio tinha acabado por contribuir de novo para essa identificada assimetria entre gabinetes.
Quando falou aos jornalistas depois da vitória por 3-1 sobre o Estoril já estava informado de tudo aquilo que se esgrimia em Madrid. E sobretudo era conhecedor do impacto dessas manobras no planeamento da nova época por parte de Mário Branco e respetivos pares.
Munido de uma proposta de renovação que lhe foi entregue na melhor altura possível, o ‘Special One’ tem tirado amplo proveito do erro crasso cometido por quem dirige e um dia acreditou que o estava a encostar à parede.
Concordando-se que para o Benfica é difícil encontrar um técnico mais capaz que o setubalense e que o inverso não é bem assim, também se reconhecerá que com o passar dos dias a corda estreita progressivamente no pescoço de quem encabeça as reuniões da SAD.
Por várias razões. Florentino Pérez pode esperar, 15 milhões não são números assustadores para o Real Madrid e o pior que poderia suceder a “Mou” era regressar a Lisboa para assinar a famigerada renovação ou cumprir apenas o último ano de contrato.
O drama é que este hipotético cenário, na ótica de Rui Costa, é acima de insustentável e faz desta semana a primeira do resto da sua vida na presidência.
Talvez o maior defeito do líder benfiquista resida num excesso de ingenuidade e numa desproporcionada relação entre a razão e a emoção.
Perdida a oportunidade de um acordo de cavalheiros na resolução do dossiê-treinador, só resta à figura número 1 da administração rezar pela reeleição de Florentino e pelo respetivo cheque de 15 milhões que irá carimbar a rescisão daquele que chegou como pronto-socorro eleitoral.
A acontecer assim, o clube mais adiado do Mundo manter-se-á nas mãos de Jorge Mendes, o superagente que nos tempos gloriosos de Luís Filipe Vieira e de Jorge Jesus levou do Seixal pérolas como João Cancelo, Bernardo Silva, Hélder Costa e Ivan Cavaleiro.
Saíram todos a preço igual. Os mesmos 15 milhões que agora vão desbloquear um futuro que pode ser com Marco Silva e de certeza sem o provável sucessor de Álvaro Arbeloa.
Vinte e cinco anos passados sobre a primeira saída, Mourinho volta a deixar terra queimada no ninho das águias.
Se o indefinido Benfica daqui a um ano estiver no Marquês, para a concorrência direta não haverá vergonha maior. Será um escândalo nacional para FC Porto e Sporting, qualquer um deles com pilares estabelecidos e milhões garantidos pela Champions.
Arrancar pior do que se está a ver na Luz só se no Seixal começarem a fazer equipas de 15 e a usar uma bola de râguebi.









