Célia Tavares, a primeira testemunha a ser ouvida na sessão do julgamento da Operação Marquês desta quinta-feira em tribunal, confirmou ter mantido uma “relação íntima” com José Sócrates entre 2010 e 2014, durante a qual recebeu ajuda financeira regular através de numerário entregue em envelopes fechados. A ex-namorada do antigo primeiro-ministro, que foi intercetada em escutas telefónicas a solicitar apoio, descreveu o arguido como uma pessoa de “bom fundo, que gosta de auxiliar”, assegurando que nunca imaginou que ele estivesse a pedir dinheiro emprestado para a ajudar. Sobre a proveniência dos fundos, Célia Tavares afirma: “Nunca questionei, deduzia que era uma pessoa com mais posses”.
O ciclo de inquirições arrancou com o depoimento de Tavares, que explicou ter conhecido Sócrates em 2009, durante um almoço de campanha eleitoral em Leiria, consolidando-se a relação de proximidade nos anos seguintes. Segundo o seu testemunho, após ter ficado desempregada em 2012, José Sócrates prontificou-se a auxiliá-la no pagamento das propinas da Faculdade de Direito de Lisboa e de outras despesas correntes, como eletricidade, água e condomínio.
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Célia Tavares confirmou que os valores eram habitualmente entregues por João Perna, o motorista de Sócrates, que se deslocava ao seu encontro para entregar envelopes fechados que continham notas de 10, 20 e 50 euros. A testemunha referiu que as ajudas rondavam normalmente os 300 a 400 euros, mas que houve uma ocasião em que o montante foi superior, atingindo os 2.500 euros para cobrir despesas escolares. Confrontada sobre a origem do dinheiro, afirmou que considerava “ridículo” questionar tais pormenores numa relação.
Confrontada com os contornos dos pagamentos, Célia Tavares admitiu desconhecer a quantia global que lhe terá chegado às mãos. Além disso, quanto ao método, assumiu que jamais questionou os motivos para receber a ajuda financeira em numerário.
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A sessão de julgamento ficou ainda marcada pela reprodução em tribunal de escutas telefónicas que envolvem José Sócrates. Nos áudios, a testemunha ouve-se a questionar se o ex-primeiro-ministro estava “bem” e se necessitava “daquilo”. Noutro telefonema, Célia Tavares mostrava-se admirada por Sócrates ter facultado o seu contacto a Lígia Correia, com quem não costumava falar para “aquele fim” — “fim” esse que não soube identificar.
A testemunha explicou que conheceu o antigo primeiro-ministro em 2009, durante uma campanha eleitoral, e que a relação de proximidade se consolidou nos anos seguintes.
Relativamente às deslocações à França, Célia Tavares revelou que os bilhetes de avião que lhe chegaram eram entregues em mão por Carlos Santos Silva, acrescentando que, em pelo menos duas ocasiões, o empresário lhe solicitou a entrega de um dossiê fechado a José Sócrates, embora tenha garantido em tribunal desconhecer o conteúdo de tais documentos.








