Internacional

Ex-adjunto de Roberto Martínez: “O Cristiano sempre teve este ego desde o início”

Ricardo Carvalho concedeu uma entrevista ao “La Vanguardia”, de Espanha, e recordou o passado. E este passado está muito ligado a José Mourinho, técnico com que se cruzou no F. C. Porto, Chelsea e Real Madrid. Foram, ao todo, 293 jogos em conjunto, o suficiente para conhecer o perfil do técnico dos “madrilenos”.

“Quando os jogos começarem, a atitude dele não vai mudar. É certo que ele está mais maduro, moderado e pacífico, mas não sabe lidar com a derrota. Se as coisas não correrem bem, ele vai ficar zangado. Aprendi muito com ele e sei que o melhor é aceitar a sua personalidade. Como jogador, percebes que ele quer o melhor para a equipa; não há nada de pessoal com ninguém, ele quer o máximo. Não se pode ficar zangado com ele, ele fará tudo o que for possível para ganhar. Quando ganha, a sua personalidade é diferente; quando perde, tem dificuldade em lidar com a derrota, sim”, considerou.

Ao longo de uma carreira frutífera foram vários os jogadores de alto calibre com quem se cruzou. Um deles Cristiano Ronaldo, na seleção portuguesa e no Real Madrid, assim como um prodígio que surgiu nos tempos em que se encontrava no Mónaco: Kyllian Mbappé.

“Futebolisticamente notava-se que era diferente, sabia que era o melhor da formação. Era um futebolista que queria ser respeitado. Queria sempre mais. Tinha fome de conquistar muitas coisas e de se tornar cada vez mais conhecido. Tem aquela arrogância que se nota, mas para ser tão bom é preciso ser arrogante. São esses que fazem a diferença”, afirmou, antes de falar da idolatria do astro francês por Ronaldo.

“O Mbappé adorava o Cristiano. É normal que veja as coisas de forma semelhante. Mas o Mbappé, quando começou, era diferente. O Cristiano sempre teve este ego desde o início. O Mbappé cresceu e foi moldando o seu ego. O francês dava a sua opinião, sabia o que queria e até onde ir. Lembro-me de uma conversa: eu queria renovar e ele disse-me que queria jogar primeiro aqui e depois ir para um grande clube. Ele sabia o que queria”, concluiu.

Depois de uma carreira de grande sucesso, Ricardo Carvalho abraçou em 2019 o mundo do treino. Iniciou na equipa técnica do Marselha e, mais tarde, acabou por abraçar o staff de Roberto Martínez na seleção portuguesa, onde exerceu funções de 2023 até ao Mundial. Uma experiência que considera ter sido “um privilégio”.

“Agora estou com tempo para me formar. Ainda me falta o diploma UEFA Pro e quero que a minha próxima etapa seja melhor enquanto treinador. E tenho três filhos, quero compensar o tempo perdido quando era futebolista e estar com eles”, mencionou.

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