Livre, PCP e BE acusaram esta quinta-feira o Chega de não estar verdadeiramente interessado em obter esclarecimentos do ministro da Administração Interna, acusando o partido de querer criar “folclore” e um “circo mediático” com a moção de censura.
“O que aconteceu na conferência de líderes veio mostrar que o Chega não respeita os tempos do parlamento e, na verdade, não está interessado em ouvir os esclarecimentos de Luís Neves”, defendeu a porta-voz e líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes.
Os líderes parlamentares decidiram que a moção de censura do Chega ao Governo será discutida a 8 de setembro à tarde, altura para a qual estava prevista a audição regimental do ministro da Administração Interna, que entretanto terá que ser reagendada pela comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias.
No entendimento do Livre, o debate sobre a moção de censura deveria decorrer na segunda-feira, uma vez que o Regimento estabelece que o texto tem que ser debatido ao terceiro dia parlamentar após a sua entrega.
“O próprio Chega sugeriu que se debatesse na terça-feira à tarde, precisamente no dia em que o ministro estava escalado para vir ao parlamento. O Chega na verdade não estava interessado em ouvir o ministro, em obter mais explicações e, na verdade, só quer fazer folclore político e ocupar com isso todo o espaço mediático possível”, acusou a deputada.
Na mesma linha, a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, afirmou que o seu partido não se opôs à data decidida em conferência de líderes, mas defendeu que “mais uma vez fica claro que o Chega não está verdadeiramente interessado nos esclarecimentos [do ministro]”.
Na opinião da bancada comunista, o Chega pretende “disfarçar a convergência que tem com as opções políticas do governo PSD e CDS”.
A deputada insistiu que a política do Governo “merece censura”, por estar a levar à “degradação das condições de vida das pessoas”, mas considerou que não é isso que preocupa o Chega ou que motivou a apresentação deste texto.
Também a deputada única do BE, Andreia Galvão, que está a substituir Fabian Figueiredo durante este mês, afirmou que “a extrema-direita tem uma enorme pressa em apresentar uma moção de censura, mas não demonstra a mesma pressa para resolver os problemas que realmente afligem os portugueses”, como o aumento do custo de vida.
“Mas a moção de hoje não é sobre isso, é sobre distrair o país com mais um circo mediático, que nos impede de debater os verdadeiros problemas”, lamentou.








