André Villas-boas critica Benfica

O presidente do FC Porto atacou Luís André e não o Benfica. E quer saber porquê? Eu mostro-lhe. Mas primeiro convém ler aquilo que André Villas-Boas disse sobre a participação do Benfica relativamente ao lance entre Samu e Alexander Bah.
“São métodos criativos para arranjar maneira de suspender jogadores do FC Porto para outros jogos. Evidentemente que nada se vai passar, são atos que escapam ao juízo dos árbitros. Se calhar o VAR não tinha as imagens para analisar a festinha que o Samu fez ao Bah da forma correta. E também adiantaria pouco porque seguramente não seria uma expulsão. Portanto, é uma tentativa de condicionamento dos jogadores do FC Porto para o futuro. É uma nova estratégia por parte do Benfica que não levará a lado nenhum e é uma perda de tempo para o Conselho de Disciplina. O FC Porto evidentemente fará a sua defesa e assim seguirá caminho.”
Palavras de André Villas-Boas. E sabe porque digo que o principal visado por estas declarações foi Luís André? É só olhar para as imagens que acompanham este texto. Na época passada, o presidente do FC Porto fez precisamente aquilo que agora critica no Benfica. Recorreu aos mecanismos existentes para tentar que situações ocorridas dentro de campo, e que não tinham tido determinadas consequências durante os jogos, fossem posteriormente analisadas pelos órgãos disciplinares.
Na altura era legítimo. Agora é uma “nova estratégia do Benfica”. Na altura não era condicionamento. Agora é uma “tentativa de condicionamento dos jogadores do FC Porto para o futuro”. Na altura não era uma perda de tempo para o Conselho de Disciplina. Agora passou a ser. Portanto, das duas uma: ou André Villas-Boas considera legítimo um clube defender os seus interesses através dos mecanismos regulamentares disponíveis e, nesse caso, terá de aceitar que o Benfica faça exatamente o mesmo, ou considera que este tipo de participação serve para condicionar adversários e fazer o Conselho de Disciplina perder tempo. Nesse caso, terá de explicar aquilo que o próprio FC Porto fez anteriormente.
Mas existe outra parte das declarações que me desperta ainda mais curiosidade. “Evidentemente que nada se vai passar” e “seguramente não seria uma expulsão”. É muita certeza sobre uma decisão que não cabe ao presidente do FC Porto tomar. Se existem novas imagens do gesto de Samu sobre Bah, que sejam analisadas por quem tem competência para o fazer. Se não existir fundamento disciplinar, o processo termina. Se existir, aplica-se o regulamento. É assim que deve funcionar.
O que não deixa de ser curioso é ouvir o presidente de um clube antecipar com tamanha confiança aquilo que acontecerá num processo que terá de ser apreciado pelos órgãos competentes. Principalmente quando estamos a falar de imagens que mostram um gesto que não foi sancionado durante o clássico. Villas-Boas pode naturalmente considerar que não existe motivo para expulsão. O que já é diferente é garantir antecipadamente que “evidentemente nada se vai passar”.
Talvez seja essa uma das perguntas que a comunicação social deveria fazer: senhor presidente, de onde vem tanta certeza de que “evidentemente nada se vai passar”? E já agora, quando o FC Porto recorreu a mecanismos semelhantes na época passada, também estava a tentar condicionar jogadores adversários para os jogos seguintes? Também estava a fazer o Conselho de Disciplina perder tempo? Ou estas classificações só passaram a existir quando foi o Benfica a utilizar os instrumentos regulamentares ao seu dispor?
No fundo, André Villas-Boas criou uma crítica que acaba por atingir aquilo que o próprio Luís André fez enquanto presidente do FC Porto. É por isso que, antes de atacar mais uma “estratégia do Benfica”, talvez fosse conveniente consultar aquilo que o seu próprio clube fez num passado bastante recente.
Quanto ao famoso “manto marrom” de que André Villas-Boas tanto gosta de falar, talvez desta vez possa ter uma utilidade diferente: tapar as incoerências de Luís André.



