O escritor António Lobo Antunes morreu, esta quinta-feira. A informação foi avançada pelo Expresso e confirmada à SIC Notícias.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, a 1 de setembro de 1942. Licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985.
“Memória de Elefante” é o título que marca a sua estreia na Literatura, em 1979. No mesmo ano, sai “Os Cus de Judas”, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência da Guerra Colonial e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.
Na bibliografia, António Lobo Antunes deixa mais de três dezenas de romances, com cerca de metade a surgir nos últimos 25 anos. Durante décadas, o escritor foi frequentemente indicado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.
Destacam-se ainda vários volumes de “Livro de crónicas” e ainda o livro para crianças “A história do hidroavião” (1994), ilustrado pelo músico e amigo Vitorino.
Carreira de várias distinções e prémios
Apesar de não ter sido distinguido com o galardão mais reconhecido da Literatura, António Lobo Antunes foi bastante premiado ao longo da sua carreira.
Em Portugal, recebeu o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus (“Exortação aos crocodilos”, 1999), o Prémio Fernando Namora (“Boa tarde às coisas aqui em baixo”, em 2004), o Prémio Alberto Pimenta de carreira, do Clube Literário do Porto (2008), o Prémio Autores (“Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar”, 2010), o Prémio Literário Fundação Inês de Castro (“O tamanho do mundo”, 2023).
Em França, teve o Prix France Culture de Littérature Étrangère em 1996 por “A morte de Carlos Gardel”, e o Prémio de Melhor Livro Estrangeiro, por “Manual dos Inquisidores”, em 1997, romance também distinguido em Frankfurt, na Alemanha, como melhor obra traduzida, no mesmo ano.
Na Áustria, onde foi “convidado de honra” do Festival de Música de Salzburgo, recebeu em 2000 o Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco. Em Espanha, teve os prémios Rosalía de Castro, em 2001, Terence Moix, em 2008, e o da Extremadura para a Criação, em 2009.
Em Itália, recebeu o Prémio Internacional União Latina, em 2003, o Nonino, em 2014, e o Prémio Bottari Lattes Grinzane, em 2018, enquanto na Roménia teve o Prémio Ovídio, em 2003.
O Estado de Israel entregou-lhe o Prémio Jerusalém, em 2004. No Chile recebeu, em 2006, o Prémio Iberoamericano José Donoso. O México deu-lhe o Prémio da Feira do Livro de Guadalajara (Juan Rulfo), em 2008.
A República Portuguesa condecorou-o com a Ordem da Liberdade, em 2019, 15 anos depois do Grande Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada. França deu-lhe o grau de Comendador da Ordem das Artes e Letras, em 2008









