O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu medidas mais duras contra o racismo no futebol, numa entrevista ao jornal espanhol As, reagindo ao caso ocorrido no Benfica-Real Madrid da primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, jogo que terminou com vitória madrilena por 0-1, na Luz.
Durante a partida, Vinícius Júnior queixou-se ao árbitro francês François Letexier de que Gianluca Prestianni lhe teria chamado “mono” (“macaco”), o que levou à ativação do protocolo anti-racismo. A UEFA abriu uma investigação e o jogador argentino acabou por ser afastado do jogo da segunda mão, no Santiago Bernabéu, embora o processo continue em análise.
Entretanto, o International Football Association Board (IFAB), após a sua 140.ª reunião anual realizada em Hensol, no País de Gales, anunciou que irá avançar com novos encontros para estudar punições a jogadores que falem com a boca tapada, como aconteceu com o atleta do Benfica. A posição mereceu o apoio de Infantino.
“Não há lugar para o racismo. Temos de lutar com toda a nossa força, estamos em 2026, e não é possível discriminar alguém pelo sítio de onde vem. Por vezes, dizem-me que o racismo é um problema da sociedade. Sim, mas nós, no futebol, temos de resolvê-lo no futebol, e a sociedade irá resolvê-lo como decidir”, afirmou.
O dirigente reforçou ainda a necessidade de tolerância zero: “Mas, no futebol, o racismo não tem de estar, e não há nenhuma desculpa para tolerá-lo. Tolerância zero. Não vale tapar a boca, porque algo de mal estará a dizer. Se um jogador cobre a boca e diz algo, e isto tiver consequências racistas, obviamente, deve ser expulso. É claro que, quando se trata de um caso disciplinar, há que analisar a situação, há que ter provas, mas não podemos conformar-nos com isto, daqui em diante”.
Infantino admitiu também que o futebol pode ponderar novas abordagens além da punição: “Talvez também devêssemos pensar, não apenas em castigar, mas também em permitir, mudando a nossa cultura, que os jogadores ou qualquer um que faça algo peça desculpa. Podes fazer coisas que não queres fazer num momento de ira e pedir desculpa, e, depois, a sanção tem de ser diferente, isto um passo além, e talvez também deveríamos considerar algo assim”.
“E estas são ações que podemos e devemos tomar para ser sérios na nossa luta contra o racismo”, concluiu.





