Os últimos anos provavelmente carregam em si a sensação de muitos mais para Marcelo Rebelo de Sousa, que nunca terá ansiado tanto por uma reforma política, que lhe devolva a tranquilidade de rotinas, que se torna urgente, numa fase em que o corpo dá sinais e lhe pede descanso. O episódio que teve lugar em dezembro, quando foi internado no Hospital de São João, no Porto, após ter sofrido uma paragem de digestão, e que culminou com uma cirurgia, a uma hérnia encarcerada, é apenas mais um da longa lista que quase implora a Marcelo para parar. Os sinais públicos são inequívocos: o chefe de Estado, de 76 anos, a quem nunca lhe faltou o sorriso nem a paciência para dois dedos de conversa ou uma selfie, está menos exuberante e este é dos tais casos de transparência em que uma simples análise ao passado recente mostra como chegou até aqui: o caso das gémeas luso-brasileiras, o corte de relações com o filho, o escrutínio a que foi sujeito, tudo isso o desgastou de uma maneira que teve reflexos em praticamente todos os quadrantes da sua vida.
“Nós que o conhecemos há mais anos, depois daquilo a mágoa está na cara dele em permanência e é natural”, disse Pedro Santana Lopes em dezembro ao NOW, não tendo dúvidas do desgaste que, para um pai extremoso como Marcelo, o corte de relações com o filho Nuno teve na sua vida.
No entanto, a preocupação está estampada no rosto de todos aqueles que o querem bem e pouco depois de rebentar o escândalo político, o padre Vítor Melícias acabaria por fazer esse desabafo público. “Temos falado, ele não está com a vida facilitada”, afirma, acrescentando que o ‘caso gémeas’ tocou no ponto mais frágil de Marcelo, e por isso o magoou tanto. “É muito complicado, é a dimensão família”, disse o padre Vítor Melícias ao ‘Expresso’, o que, na verdade, retrata bem aquilo por que o presidente passou e que abalou o seu mundo tanto na dimensão política como pessoal.








