José Sócrates diz estar a ser alvo de “acusação falsa” e “manipulação”

O antigo primeiro-ministro José Sócrates (2005-2011) regressou esta quinta-feira ao tribunal, no Campus da Justiça, em Lisboa, sem advogado e, à chegada ao local, garantiu estar a ser alvo de uma “acusação falsa” há 12 anos. Por essa razão, não duvida de que irá provar a sua inocência.
Mas José Sócrates tinha mais críticas para fazer à Justiça portuguesa:
“Há 12 anos vigarizaram a escolha do juiz. Escolheram e manipularam a escolha do doutor Carlos Alexandre e, agora, querem escolher-me o advogado.”
O arguido entende que as regras da Ordem dos Advogados “foram violadas”, já que “impõem um sorteio na escolha do advogado oficioso.”
O ex-chefe de Estado está sem advogado desde novembro passado, algo que afirmou não ser sua responsabilidade.
“Como todos sabem, a partir do dia 14 de novembro, fiquei sem advogado. E a responsabilidade não é minha, o meu advogado decidiu renunciar. E quando o advogado renuncia, é em função da sua própria consciência. Não fui consultado para isso, respeitei apenas isso”, disse.
Cerca de um ano depois, José Sócrates regressa ao Tribunal Central Criminal no Campus da Justiça, onde está a ser julgado no âmbito da Operação Marquês.
Faz esta quinta-feira precisamente um ano que José Sócrates pediu uma pausa à juíza Susana Seca, alegando que “era uma violência física falar durante tanto tempo seguido em tribunal”, após nove sessões.
Neste regresso a tribunal, e já no interior do edifício, a juíza dirigiu-se ao ex-primeiro-ministro lembrando a data:
“Passou um ano do dia em que o senhor disse que precisava de 10 dias. O tempo foge.”

