Rui Santos deixou mais uma das suas mensagens, de olhos postos na câmara, na sequência do FC Porto-Sporting, e estes recados não são sobre futebol.
“D. Vergonha, com conhecimento de André Villas-Boas. Dona, assim te denomino, não apenas de ti própria, e isso é que é grave, dona daqueles que não te rejeitam, que não te vedem a entrada e que ainda por cima te incentivam a fazer coisas típicas de um país do terceiro mundo. Não tens a mínima noção do que é educação, desportivismo e convivência social, pois não? Não te interessa nada lançar foguetes de madrugada para perturbar o sono de atletas de alta competição, pois não? Dá-te gozo especial colocar cortinas para limitar e abafar o efeito dos incentivos de adeptos que tratas como se não tivessem os seus direitos, não é? Tu, vergonha, és capaz das coisas mais inadmissíveis.
Tirares propositadamente as toalhas que o guarda-redes utiliza para limpar as luvas num tempo de chuva particularmente adverso. Tirares os pinos onde repousavam as bolas, como é aliás regulamentar, para se perder mais tempo que o resultado em 1-0. Deseducares miúdos que são apanha-bolas. Colocar cartazes no balneário da equipa sobre a qual querias provocar desconforto e afetação psicológica ao ponto de o fazeres nas paredes por cima dos urinóis. Não tens nenhuma noção do que é competir limpo, pois não? Já não bastava o nevoeiro ameaçar a realização de um jogo e ainda por cima a realizar-se num tempo de tragédia a afetar centenas de milhares de portugueses confrontados com uma série de tempestades que nunca mais têm fim. Não ficarias satisfeita, pois não, se não enchesses o estádio de fumo provocado pela deflagração de artefactos pirotécnicos sobre os quais as autoridades continuam a ser totalmente ineficazes? Achas que tens o direito de fazer parar o jogo por cerca de quatro minutos, incluindo os atletas que julgas estar a proteger?
E a cena do ar-condicionado colocado à temperatura máxima para fazeres suar ainda mais aqueles que acharias conseguir abater? Eu sei que foste batizada com o nome que tens, Vergonha, e quem tem esse nome quer fazer jus a atos vergonhosos, afastando com eles e com a sua indiferença tantos e tantos adeptos que perderam o respeito por uma modalidade na sua génese tão bonita.
Achava que não teria de te dirigir mais a palavra, porque não mereces, porque tu sim e quem te encobre fazem mal ao futebol e já lhe provocaram demasiado dano perante as falinhas mansas e a conivência de quem a sustenta e protege.
E é contra esses que me insurjo quando percebo que a indústria do futebol em Portugal se assemelha muitas vezes a uma caixa de pó de arroz cheia de vermes, um espaço mal frequentado, um jogo de enganos entre falsidades e ações de propaganda que servem para camuflar as evidências, onde quase todos escalam, até nas pomposas embaixadas entretanto criadas, perante situações que deveriam merecer a mais severa das críticas.
Ontem decidiste revisitar o Dragão e que mal lhe fizeste mais uma vez.
Aqueles milhares de adeptos azuis e brancos que depois da primeira saraivada de tochas começou a assobiar-te, não vestindo a tua camisola, sim, a tua camisola, que ao contrário do que pensas não é azul e branca, é negra, de uma negritude que embaraça as pessoas e envergonha, são a minha esperança e de muitos adeptos que com uma certa dose de masoquismo ainda acreditam no futebol. Sabes o que me embaraça? A ausência de consequências sérias que te coloquem no lugar. E se já tinhas aparecido no intervalo do jogo na cabine do SC Braga a mostrar-se supostos erros de arbitragem acontecidos na primeira parte desse jogo, cujas imagens apareceram num ecrã de televisão impossível de desligar, e tudo ficou em águas de bacalhau através de decisões também elas vergonhosas do nosso regime disciplinar, é porque estás outra vez a engordar.








