Marcelo Rebelo de Sousa deixou um aviso sério e pouco habitual sobre o futuro da Presidência da República. Em declarações recentes, o atual Chefe de Estado sublinhou que o próximo Presidente, a eleger em 2026, enfrentará uma tarefa significativamente mais difícil do que aquela que encontrou quando assumiu funções em 2016. Segundo Marcelo, o contexto internacional adverso, aliado a uma crescente fragmentação política interna, colocará à prova a resiliência institucional de Portugal como nunca antes.
Ao contrário de um simples balanço de fim de mandato, este aviso surge como um verdadeiro diagnóstico geoestratégico. Quando Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Belém, o país encontrava-se em recuperação após o período da Troika, beneficiando de alguma estabilidade económica e política. O seu estilo de proximidade, muitas vezes apelidado de “afetivismo”, funcionou como um amortecedor social.
Contudo, o próprio reconhece agora que esse ciclo terminou e que o próximo Presidente herdará um país mais tenso, com instituições sob pressão e um sistema partidário profundamente alterado.
Analistas políticos citados pelo Expresso apontam que uma das maiores dificuldades estará na governabilidade. O Parlamento atual é mais fragmentado do que nunca, o que exigirá do Presidente da República um papel menos conciliador e mais estratégico. A tradicional função de árbitro poderá transformar-se num exercício constante de mediação dura, com decisões sensíveis e potencialmente contenciosas, num cenário de polarização crescente.
Segundo análises publicadas pelo Portal Mundo Time, este novo contexto exigirá um perfil presidencial diferente. Menos centrado na popularidade e mais focado numa magistratura de influência técnica e institucional. O próximo Presidente terá de lidar com temas delicados como o aumento dos custos da defesa, a instabilidade geopolítica na Europa de Leste e o impacto direto do crédito à habitação nas famílias portuguesas — fatores que geram desgaste político imediato e testam a autoridade moral do cargo.
Apesar de ainda faltar tempo para as Presidenciais de 2026, os bastidores políticos já fervilham. Nomes como António Costa, Pedro Passos Coelho ou Henrique Gouveia e Melo surgem como potenciais candidatos, cada um representando visões distintas para enfrentar esta “tarefa árdua”. Ainda assim, o aviso de Marcelo Rebelo de Sousa deixa claro que a próxima eleição não será uma escolha baseada em carisma ou simpatia, mas sim numa avaliação rigorosa da capacidade de liderança em tempos de crise permanente. O futuro da estabilidade política de Portugal poderá depender disso.







