Filipe Delgado tem sido trazido momentos descontraídos à “1ª Companhia”. Porém, a vida do cantor guarda uma página dolorosa relacionada com o falecimento do avô materno, vítima de uma explosão ocorrida na Fábrica da Pólvora Paulo Inácio, em novembro de 1998. O episódio, que prendeu a atenção do público português frente à televisão, marcou profundamente a família. O antigo funcionário, já reformado, regressara ao ativo cinco anos antes após aceitar o convite de um amigo, decisão que acabou por ser fatal.
A mãe do artista, Teresa Delgado, recordou em conversa com a TV 7 Dias: “O meu pai era muito ligado à família e foi mesmo um ponto de referência para ele”. A memória do dia da tragédia permanece nítida, e Teresa descreve-o como um dos momentos mais difíceis: “Foi um choque muito grande mesmo. Quando eu recebi a notícia estava a trabalhar no meu salão. Quando me deram a notícia nem sequer me disseram bem o que se passava, só me perguntaram pelo meu pai e disse que o meu pai estava a trabalhar”. Conforme contou, ao regressar a casa e ao ouvir o rádio do carro, percebeu a dimensão do que tinha acontecido.
Em casa, os filhos, Filipe e a irmã, faziam os trabalhos escolares, alheios ao facto de as imagens transmitidas pela televisão se referirem ao local onde o avô se encontrava. A família optou por desligar o televisor e resguardar as crianças, enquanto os pais iam até à fábrica. “O meu pai não foi encontrado nesse dia, ficou soterrado, foi só encontrado no dia seguinte perto do meio-dia. Foi um drama muito grande”, contou Teresa Delgado, acrescentando que “nessa explosão faleceram três pessoas”. A violência do impacto foi tamanha que, segundo moradores, “o pobre cão (que estava na varanda) foi projetado contra a porta”, e, num raio de dois quilómetros, “várias janelas caíram ou ficaram partidas”.
O Tribunal da Relação de Lisboa, em 2003, considerou que o acidente resultou do incumprimento de normas de segurança. O sócio-gerente da empresa respondeu por três crimes de homicídio por negligência, uma vez que as máquinas continham “mais de 50 quilos de pólvora quando, de acordo com a lei e com a licença emitida, apenas aí podiam existir dois quilos de pólvora”. A investigação revelou ainda que “os depósitos distavam entre si menos de cinco metros” e que a explosão “foi assim potenciada pela pólvora em suspensão na oficina”. O impacto destruiu parte do edifício da Cordoaria Lisbonense e vários prédios num raio de 200 metros. Apesar de o caso ter sido levado à justiça, Teresa Delgado confirmou que “ficou tudo sem haver conclusão”.









