João Gabriel, antigo diretor de comunicação do Benfica, criticou a petição recentemente entregue na Assembleia da República para travar ou rever o processo de centralização dos direitos televisivos do futebol português, considerando que a iniciativa surge tarde e serve sobretudo como uma ação de caráter político e propagandístico.
Numa publicação no Linkedin, o antigo responsável encarnado começou por recordar que o processo de centralização não é uma novidade. “Há mais de cinco anos que se sabe que a centralização dos direitos televisivos vai avançar. A lei é de 2021, o calendário é conhecido e a época de 2028/29 nunca esteve escondida de ninguém”, escreveu.
João Gabriel apontou responsabilidades à atual direção do clube da Luz, defendendo que houve tempo suficiente para acompanhar e influenciar o processo. “Esta direção teve cinco anos para estudar, negociar, propor, influenciar e, sobretudo, liderar. O Benfica não o fez, e agora, só agora, descobre a Assembleia da República na tentativa de suspender um processo que durante cinco anos ignorou”, afirmou.
Na mesma publicação, considerou que a petição apresentada pelos encarnados tem um objetivo mais comunicacional do que efetivamente prático. “É por tudo isto que esta petição é, acima de tudo, uma peça de propaganda. O Benfica tem razão em vários dos problemas que identifica; o que não pode é transformar quatro anos de ausência de liderança numa súbita demonstração de combate”, sustentou.
O antigo diretor de comunicação entende ainda que a iniciativa “dificilmente alterará uma realidade que o próprio Benfica deixou consolidar enquanto assistia ao processo de fora”, acentuando: “Por isso, o problema desta petição não está naquilo que pede. Está no momento em que aparece.”
João Gabriel aproveitou igualmente para deixar críticas a Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, acusando-o de ter conduzido mal o debate sobre a centralização dos direitos televisivos. “Pedro Proença contaminou, desde o início, o debate sobre a centralização a uma discussão sobre distribuição de dinheiro, quando a questão central deveria sempre ter sido a reforma dos quadros competitivos”, referiu.
Apesar das críticas dirigidas à atual direção benfiquista, João Gabriel reconhece que existem motivos para preocupação relativamente ao modelo em discussão. “É legítimo que o Benfica esteja preocupado. O que não é legítimo é fingir que descobriu o problema em 2026”, concluiu.










