Vangelis Pavlidis admite que o futuro no Benfica não está garantido e assume que poderá sair, deixando claro que a decisão dependerá do que for melhor para a sua carreira. O avançado grego garante que a componente financeira nunca pesou nas suas escolhas: “Tenho de ver o que posso fazer de melhor por mim e pela minha carreira. Tal como no passado, nunca foi a vertente financeira que me levou a tomar uma decisão. E nem agora isso irá acontecer. A minha decisão foi e será sempre desportiva.”
O jogador recorda que também a ida para o Benfica teve por base critérios desportivos e não a liga em si. “Nunca tive as ligas em mente para fazer a minha escolha. Procuro a equipa que virá atrás de mim. O que quer que vos diga será mentira… Porque há dois anos não conseguia imaginar que viria para uma equipa destas. Tive outras propostas antes do Benfica, mas decidi ir para o Benfica. Não escolhi por causa da liga, foi a dimensão do clube que influenciou a minha escolha. Ofereceu-me um plano melhor, experiência e, acima de tudo, perspetivas. Sabia que iria jogar na Liga dos Campeões, sabia que seria titular, queria conquistar títulos. Foi por isso que escolhi o Benfica.”
Sobre o percurso recente, Pavlidis faz um balanço positivo das últimas épocas, incluindo a passagem pelo AZ Alkmaar e a experiência na Luz: “Nos últimos cinco anos, trabalhei e esforcei-me muito. Tenho a sorte de estar numa enorme equipa como o Benfica agora, mas também antes, no AZ Alkmaar, muito ofensivo e que me ajudou a marcar golos e a evoluir. Agora estou no Benfica, pensei que seria o melhor passo para a minha carreira. E, como se viu, foi algo muito positivo para mim e realmente a decisão certa. Tanto no primeiro ano quanto neste, adquiri grandes experiências. Quero jogar mais, quero marcar mais golos e tentar chegar ao mais alto nível possível. É assim que vejo e esse caminho continua na minha carreira.”
O ponta-de-lança, que soma 29 golos esta época, destacou ainda Harry Kane como referência: “É fantástico. Trabalha muito durante o jogo. Não é só marcar golos. Pressiona, cria jogadas, abre as defesas adversárias… Faz tudo.”
Quanto a um eventual regresso à Grécia, não fecha a porta: “Nunca se sabe o que vai acontecer. No futuro, talvez. Veremos. Claro que vejo o campeonato grego, acompanho as equipas e os meus colegas da seleção. É um campeonato bonito e forte. As grandes equipas têm demonstrado, nos últimos anos, que melhoraram muito. As equipas mais pequenas poderiam ter-se saído um pouco melhor, para que a competição fosse ainda mais disputada. Tenho também muitos amigos na segunda divisão, por isso acompanho o que se passa por lá. Devem ser dadas mais oportunidades aos jogadores gregos.”
Pavlidis critica ainda a falta de aposta em jogadores locais: “Prefiro ver jogadores gregos nas equipas mais pequenas do que estrangeiros que não fazem a diferença. Não é bom que os jovens do nosso país não joguem e que os seus lugares sejam ocupados por jogadores medíocres do estrangeiro. Nos campeonatos em que joguei, o holandês e o português, os jogadores tiveram sempre prioridade. As equipas apoiam-nos muito nessas ligas e é assim que deve ser também na liga grega. Infelizmente, isso não acontece. Não se esqueçam do que se passa nas nossas grandes equipas. Os jogadores que partem para o estrangeiro e protagonizam as transferências mais caras são os gregos. E isso diz-nos alguma coisa.”
Por fim, revelou que o pai continua a ser o seu maior crítico, mesmo após grandes exibições: “Sim, mas aquilo não fizeste bem… Poderias ter feito melhor”, contou, lembrando a reação após um hat-trick frente ao Barcelona numa derrota por 5-4. “Se está mais calmo agora? Não, ele nunca acalma [risos]. Faz sempre observações e quer sempre algo mais, mas o meu pai é assim!”









