O candidato presidencial e líder do Chega garante que a sua candidatura representa uma rutura com aquilo que classifica como o “sistema de interesses” instalado no país.
Em declarações na sede distrital do Chega, em Santarém, Ventura reagiu ao apoio público de várias figuras da direita à candidatura de António José Seguro, sublinhando que esse movimento resulta de uma leitura errada do atual cenário político. Segundo o candidato, há uma tentativa de criar a ideia de que está em causa uma luta pela democracia, algo que considera completamente falso.
“Isto não é uma luta da democracia contra o autoritarismo. Isto é uma luta dos tachistas contra os não tachistas”, atirou, defendendo que o seu objetivo passa por “acabar com os tachos”, enquanto os seus opositores pretendem “manter o sistema como está”. André Ventura acrescentou ainda que acredita que o próprio António José Seguro poderá não se sentir confortável com alguns dos nomes que agora lhe manifestam apoio.
O líder do Chega salientou também que, na sua perspetiva, os apoios a Seguro não resultam das qualidades do candidato, mas sim de uma estratégia concertada para travar a sua eleição como Presidente da República. “Não temos um candidato a disputar estas eleições comigo pelo seu valor ou pelas suas propostas, que ninguém conhece. Temos é um país a levantar-se contra alguém que quer pôr em causa o sistema de interesses nacional”, afirmou.
Apesar das críticas e do que considera ser uma frente unida contra si, André Ventura vê este cenário como uma vitória política. Independentemente do resultado da segunda volta, marcada para 08 de fevereiro, o candidato diz ter conseguido expor e unir “tudo o que é sistema de interesses, tachos, amigos da corrupção e parceiros do sistema”.
“Podemos partir desta eleição com uma certeza: seremos nós contra eles até os derrubarmos e até vencermos o sistema de interesses”, concluiu.
Recorde-se que António José Seguro e André Ventura foram os dois candidatos mais votados na primeira volta das eleições presidenciais, realizada no domingo passado. Seguro obteve 31% dos votos, enquanto Ventura alcançou 23%, garantindo ambos a passagem à segunda volta. O candidato apoiado pelo PS conta agora também com o apoio do Livre, PCP e Bloco de Esquerda.
Este sábado ficou ainda marcada pela divulgação de uma carta aberta subscrita por mais de duas centenas de figuras da área política não socialista, que manifestam apoio a António José Seguro, destacando o seu perfil moderado e sublinhando que André Ventura não os representa.










