Quando André Ventura iniciou a sua carreira política, a fisioterapeuta infantil Dina Marques Nunes era presença assídua ao seu lado, símbolo vivo da “família conservadora” que o Chega promove. As primeiras ações de campanha contavam sempre com Dina ao lado de Ventura, reforçando o discurso católico-conservador de “valores tradicionais”. Em 2019, o casal era imagem de marca do partido, nas redes sociais e em eventos públicos, projetando uma vida a dois sólida e alinhada com a mensagem política de André.
Contudo, à medida que Ventura ganhou notoriedade — e recebeu ameaças de reprovação mais graves — a exposição de Dina tornou-se um fardo. Amigos próximos revelaram à revista Sábado que o casal temia agressões ou intimidações dirigidas à fisioterapeuta, por isso André optou por remover qualquer vestígio da esposa das suas aparições públicas. Fotografias de férias e partilhas pessoais desapareceram dos perfis sociais do dirigente, que agora prefere manter a vida familiar celada.
A segurança da família levou André a adiar um dos seus maiores sonhos: ser pai. Em entrevista ao programa Casa Feliz, admitiu que, com ronda de seguranças e limitações nas deslocações, não se sentia capaz de proporcionar aos filhos “a vida de segurança mínima que qualquer criança merece”. “Viver com segurança tornou-se parte do meu quotidiano. Hoje não vejo condições para ter filhos num ambiente assim”, concluiu, guardando o desejo de se tornar pai “num futuro mais tranquilo”.
A inspiradora trajetória pessoal de Ventura inclui ainda um passado inesperado: jovem rebelde em Mem Martins, aos 14 anos ingressou no seminário com vocação sacerdotal, interrompida aos 17 pela descoberta do amor e o ingresso no curso de Direito. Apesar de ter desistido de ser padre, a fé nunca o abandonou — Ventura reza diariamente, carrega um terço e uma cruz que lhe foi oferecida na noite da sua eleição a deputado, em 2019.
Mesmo nos momentos de lazer, o líder do Chega mantém a mesma reticência em revelar detalhes pessoais. Confessa ser “o pior companheiro de sofá” ao assistir televisão, tal o grau de comentário político que faz durante os programas. Hoje, André Ventura equilibra a ambição política com a preservação da intimidade familiar, numa estratégia forçada por medo e ameaças, mas que reflete a prioridade que dá à segurança de Dina e, futuramente, de uma família alargada.







