Miguel Sousa Tavares fez uma leitura crítica e detalhada da atual campanha presidencial, antecipando uma eventual segunda volta entre António José Seguro e André Ventura, que considera serem, até ao momento, “os dois candidatos que arriscaram menos”. Na sua análise, o comentador sublinha que ambos optaram por estratégias cautelosas, evitando grandes ruturas ou propostas surpreendentes, numa tentativa clara de não afastar eleitorados já consolidados. Esta postura, segundo o escritor, pode revelar-se decisiva num cenário eleitoral marcado pela incerteza e pela fragmentação do voto.
Sobre André Ventura, líder do Chega, Miguel Sousa Tavares considera que o candidato manteve o discurso habitual, sem apresentar novidades relevantes ao longo da campanha. Ainda assim, destaca a existência de um eleitorado fiel, estimado entre os 20% e os 24%, que continuará a apoiá-lo “faça ele o que fizer”. Já em relação a António José Seguro, o comentador aponta uma campanha marcada pela moderação e prudência, evitando compromissos mais firmes. Apesar de admitir que “dormiria seguro” com o socialista em Belém, levanta reservas quanto à sua capacidade de atuação em cenários de crise política ou de conflito institucional com o Governo.
Miguel Sousa Tavares não poupou críticas a Marques Mendes, cuja campanha classificou como uma “deceção”, mas também como uma confirmação do seu percurso político. O comentador critica a insistência do candidato na imagem de independência, lembrando a proximidade ao PSD e o apoio explícito de figuras como Cavaco Silva e Luís Montenegro. “Se há coisa que Marques Mendes não é, é independente”, afirmou, sublinhando que o antigo líder social-democrata acabou a campanha “completamente encostado ao partido”. Já quanto ao almirante Henrique Gouveia e Melo, manifestou surpresa com a posição relativamente modesta nas sondagens, considerando que não realizou uma campanha particularmente negativa.
Por fim, Miguel Sousa Tavares abordou a polémica envolvendo João Cotrim de Figueiredo, relacionada com uma alegada situação de assédio denunciada por uma antiga assessora da Iniciativa Liberal. O comentador defende que acusações desta gravidade devem ser apresentadas “logo e no lugar certo”, nomeadamente junto do Ministério Público, alertando para a dificuldade de um acusado provar a sua inocência e para o impacto devastador que denúncias feitas em cima do ato eleitoral podem ter. Para Miguel Sousa Tavares, este caso ilustra de forma clara “o quão perigoso é este território das redes sociais”, sublinhando a influência crescente que estas plataformas podem exercer em momentos decisivos da democracia.







