Internacional

Pedro Chagas Freitas faz desabafo sobre menina morta pela madrasta: “Tenho vergonha da minha espécie”

Pedro Chagas Freitas escreveu um sentido texto sobre a pequena Lara, que foi morta às mãos da madrasta, Eulália.

“Desculpa-nos. Não te protegemos. Deixamos-te sozinha no meio das nossas guerras, das nossas misérias. Tinhas oito anos. Não devias preocupar-te com o ódio asqueroso dos que se dizem maiores do que tu, não devias morrer por causa dele. Tenho vergonha da minha espécie”, começou por desabafar.

“A vingança é uma doença fatal. Uma das doenças mais letais que o ser humano inventou. E sobretudo uma das mais estúpidas: uma das mais mentirosas. Promete terminar uma dor, reparar a injustiça, equilibrar a balança, devolver aquilo que foi perdido. Mentirosa. A vingança não devolve nada; só rouba mais, e mais, e mais. Acrescenta cadáveres, sofrimento, dor, escuridão. A vingança é uma besta com fome infinita. Começa numa pessoa, depois avança para outra, e outra, e outra. Num instante, já não sabemos onde começou, de onde veio. Há famílias inteiras destruídas assim, pessoas que passam décadas a alimentar uma ferida que acaba por se tornar na única identidade que lhes resta. A vingança cria sacerdotes do próprio sofrimento”, continuou.

“Gente que pensa espalhar justiça e que só espalha monstruosidade. Eu acho que é no meio da m**** da vingança que nascem os monstros. Todos os vilões começam numa vingança. Tu sabias, não sabias, Lara? Quem passa demasiado tempo a conversar com o monstro deixa de distinguir a sua voz da dele. Não quero justificar o que te fizeram. Há coisas que não podem ser absolvidas. Podem ser analisadas, estudadas. Não podem ser absolvidas. As crianças vivem dependentes da bondade dos adultos. Não escolhem os pais, as casas, os conflitos, os ambientes, as guerras. São colocadas no centro delas, esperam que nós façamos o nosso trabalho. É o contrato mais básico da humanidade. O mais sagrado de todos. Não o cumprimos, Lara. Não o cumprimos”, escreveu, ainda, Pedro Chagas Freitas.

“Acredito que a grandeza de uma sociedade se mede pela forma como trata quem é incapaz de se defender: uma criança, um idoso, um doente, todo e qualquer vulnerável. É aí que se vê quem somos. Somos uns trastes, Lara. Nenhuma guerra entre adultos vale uma criança. Desculpa, desculpa. Descansa em paz. Se conseguires, perdoa-nos”, findou o escritor.

Taduma258

Share
Published by
Taduma258
Tags: Lara

Recent Posts

Já há data para chegada de João Palhinha ao Benfica

Segundo o jornal Record de Portugal, João Palhinha chega hoje à Luz para reforçar e…

1 hora ago

José Manuel Freitas arrasa futebolista do Benfica: “Tem os dias contados na equipa

Marco Silva deixou ainda uma mensagem clara sobre a luta por um lugar no onze,…

2 horas ago

Morreu o avô de Finlay Tarling, ciclista que faleceu na Volta a Portugal

A família Tarling vive dias duríssimos. Morreu Gerald Tarling, avô de Finlay Tarling, ciclista que…

15 horas ago

OFICIAL: Kochorashvili deixa o Sporting

O médio internacional pela Geórgia regressa, assim, ao futebol espanhol, onde fez grande parte da…

24 horas ago

Novos dados sobre o mergulhador de 28 anos que desempenhava funções na Lisnave

O jovem mergulhador experiente encontrava-se na Lisnave – Estaleiros Navais da Mitrena, em Setúbal, a…

1 dia ago

Antes de entrar no Benfica como grande estrela, João Palhinha levou nega das águias e quase desistiu da carreira: a história que faltava contar

João Palhinha, de 31 anos de idade, está prestes a assinar pelo Benfica, naquele que…

1 dia ago